24 de set de 2014

Mogi recebe exposição de Yokais ilustrados por Hiro

De 23 de setembro a 12 de outubro de 2014, o Mogi Shopping abriga o espaço temático Pequeno Japão. Entre as ações desta iniciativa, estão as 24 ilustrações de Hiro Kawahara que fez releituras autorias dos Yokais, personagens marcantes e simbólicos do rico folclore japonês. Para conhecer melhor este trabalho inédito, o blog Casa Itapety realizou uma entrevista exclusiva com o artista mogiano responsável pela exposição dedicada a adultos e crianças na cidade onde nasceu e aproveitou toda a infância.

Banner. Imagem: reprodução
Desde quando tem interesse por desenhos e como foi a sua trajetória neste universo artístico?
Toda criança gosta de desenhar e eu não fui uma exceção. A diferença é que a maioria das pessoas para de desenhar depois de certa idade e os ilustradores não. Nunca havia planejado uma carreira como ilustrador, iria me tornar um biólogo, foi essa a faculdade que eu cursei. A carreira de ilustrador apareceu meio que por acaso, quando uma oportunidade surgiu em uma editora para trabalhar como desenhista contratado, há 25 anos. Depois que consegui esse emprego, abandonei a carreira de biólogo e nunca mais fiz outra coisa, e mesmo trabalhando com publicidade, sempre foi ligado à arte.

Como surgiu a ideia deste projeto focado em seres do folclore japonês e como foi o seu desenvolvimento?
Eu já conhecia alguns Yokais desde criança, que são criaturas com forte presença na cultura japonesa atual e sempre representados em revistas ou filmes. Quando criança, eu lia mangás que tinham as imagens antigas dos Yokais e sempre achei fascinante essa relação do Japão antigo com os monstros. Lendo sobre o assunto com mais profundidade, fiquei impressionado com a quantidade e variedade de Yokais existentes e de como seriam interessantes serem interpretados de maneira autoral, já que não existem imagens oficiais dessas criaturas, apenas relatos orais. Como eu trabalho também com design de personagens e estava procurando um assunto para desenvolver um estilo de trabalho diferente, quando a oportunidade de fazer uma exposição apareceu foi só juntar as duas coisas.

Cartaz. Imagem: reprodução.
Quais técnicas você utilizou para ilustrar os trabalhos desta mostra?
Todas as ilustrações foram feitas digitalmente em um programa chamado Painter, simulando grafite e pincel seco com nanquim. Mas, ao contrário das ilustrações normais que faço, os Yokais não tiveram um estudo preliminar, sketches com correções e pintados por cima. Eu faço a marcação de uma forma básica para entender se o Yokai vai ser gordo, comprido, quadrado etc. As linhas de expressão e os detalhes vão surgindo de maneira intuitiva, sem planejamento. Pelo fato de eu trabalhar com ilustração figurativa há muito tempo, ainda fico preso nesse olhar, mas também isso me dá uma liberdade de tracejar sem se importar com o resultado e, intuitivamente, acerto nos detalhes, como olhos e outras partes do corpo, como se tivesse trabalhado com um estudo prévio.

A exposição apresenta quais Yokais?
A exposição não é focada para o público infantil. No começo até imaginei algo nessa linha, mas decidi usar um estilo de trabalho muito detalhado e obscuro, justamente porque não é um estilo que pratico muito e porque a natureza dos Yokais puxa para o macabro, pois foram criados para incutir medo. As histórias dos Yokais são trágicas e dolorosas, então achei que esse estilo mais adulto encaixaria melhor. A mostra tem 23 Yokais que foram escolhidos aleatoriamente e fazem parte do projeto de um novo livro composto por 100 Yokais.

Capa do livro infantil. Imagem: reprodução.
Você desenvolveu outras peças para esta exposição?
Desenvolvi também os materiais de divulgação e também o livro infantil que será distribuído. Esse livrinho terá 12 Yokais com estilos mais fofo e ingênuo para as crianças colorirem.

Qual a relação dos seus desenhos com o público infantil?
Comercialmente, a relação é importante, já que ilustração infantil é praticamente a maioria dos trabalhos que faço para o mercado publicitário e editorial. Sei que existe uma aceitação muito grande do meu desenho por parte das crianças e também por parte de adolescentes e adultos. Procuro sempre trabalhar com o lado emocional, passar alguma sensação ou emoção nos desenhos que faço, é um estilo muito mais intuitivo e sensorial. Tento sempre deixar um clima de alto astral nesses desenhos.

Qual a importância desta exposição ser realizada em Mogi das Cruzes, cidade onde nasceu e passou a infância?
Particularmente, essa exposição dos Yokais ser feita em Mogi, onde existem muitas pessoas da comunidade japonesa, é muito importante. Porque existe uma ligação, uma memória, principalmente dos mais idosos, dessas criaturas do folclore japonês, e eu sei que haverá um certo questionamento em relação à forma, mas não em relação ao conteúdo. É uma responsabilidade grande, ao mesmo tempo, uma liberdade muito grande, pois mesmo sabendo disso, dou a cara pra bater e faço algo que foge do esperado, sem muita expectativa com o resultado. Também foi gratificante ter trabalhado nessa primeira etapa do projeto com o Mogi Shopping, que entendeu a proposta e abraçou os Yokais sem nenhum questionamento, dando liberdade gigantesca para trabalhar e dar um direcionamento para os outros que estão por vir.

Atualmente, qual a sua relação com Mogi das Cruzes?
Mogi faz parte da minha historia pessoal. Mesmo morando e trabalhando atualmente em São Paulo, existe uma ligação emocional com a cidade. Basicamente, o menino que via monstros em terrenos baldios em Mogi levou isso pra cidade grande e virou desenhista, e não tem como não ser agradecido por essas memórias.

Você já participou de outras exposições?
Hiro Kawahara. Imagem: reprodução.
Já fiz uma exposição em São Paulo, representando bonecas russas Matrioskas, quando pintei 30 quadros de monstros e mulheres em um estilo mais divertido. Além disto, anualmente, eu participo de um evento da Sociedade dos Ilustradores do Brasil chamado IlustraBrasil, onde cerca de 100 trabalhos de grandes ilustradores são expostos. Já tive trabalhos expostos na França (Paris) e China, todos eles ligados à ilustração infantil.

Confira mais trabalhos de Hiro Kawahara em:
www.hiro.art.br

Contato:
hiro@hiro.art.br
www.facebook.com/hiro.kawahara.1

Colaborou: Alberto Shizuo Kawahara

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